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Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome

 

Índice


1.       O que é o Fome Zero
2.       Da fome à segurança alimentar e nutricional
3.       Como está estruturado o Fome Zero
3.1.            Os municípios e o Fome Zero
3.2.            Áreas prioritárias
4.       O funcionamento do Mutirão contra a Fome
4.1.            Campanha de doações de alimentos
4.2.            Campanha de doações em dinheiro
4.3.            Formação de grupos de voluntários e iniciativas de apoio
4.4.            Os Componentes do Mutirão contra a Fome
5.       Os Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional
6.       O que fazer para participar do Fome Zero
7.       Para saber mais

Introdução

 

Todos podemos participar do combate à fome no Brasil através do Programa Fome Zero, do governo federal.
Garantir a cada brasileiro três refeições diárias é a prioridade do Presidente Lula e de sua equipe de governo. Esta meta é tão importante que, para isso, foi criado o MESA – Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, tendo à frente o ministro José Graziano da Silva.
Fome e desnutrição formam um círculo vicioso, agravando a pobreza. Produzem efeitos cumulativos e irreversíveis como a dificuldade de as crianças mal alimentadas de assimilarem conhecimento; a quebra da imunidade às doenças; o retardamento mental; a cegueira; distúrbios glandulares; e a morte precoce (de cada 1.000 crianças nascidas vivas no Brasil, cerca de 32 morrem antes de completarem 1 ano de vida. Ao todo, mais de 100 mil crianças por ano). De cada 3 crianças falecidas, 2 morrem em conseqüência da falta de água adequada, o que provoca diarréia e outros males.

           

1. O que é o Fome Zero

 

No Brasil, a fome não existe por falta de alimentos. Falta é renda para adquiri-los de forma digna e permanente, em quantidade e qualidade adequadas. Como a renda está mal distribuída no país, uma parcela da população não tem acesso nem mesmo à quantidade mínima de alimentos necessária para garantir a sobrevivência.

O Fome Zero é um programa criado para combater a fome e as suas causas estruturais, que geram a exclusão social, ou seja, para garantir a segurança alimentar de todos os brasileiros e brasileiras.

O Programa tem três frentes: um conjunto de políticas públicas; a construção participativa de uma Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional; e um grande mutirão contra a fome.

O programa envolve as três esferas de governo (federal, estadual e municipal) e todos os ministérios. Porém, a grande protagonista do Fome Zero é a sociedade brasileira. De sua mobilização depende o êxito do programa.

 

 

2. Da fome à segurança alimentar e nutricional

 

Cada língua tem um jeito para designar a fome. O idioma inglês, por exemplo, tem uma palavra específica para distinguir a fome corriqueira – hunger– que antecede as refeições, daquela que exprime a escassez absoluta –starvation –, e ainda outra para a fome que atinge toda uma população em função de calamidades como a guerra, chamada de famine, conhecida no Brasil como “fome africana”.

Em português, falamos em fome tanto para aquela sensação corriqueira de vazio no estômago, quanto para um problema social, ligado à pobreza e a calamidades como a seca ou a guerra.

No Brasil, apenas uma pequena parcela da população é atingida pela fome aguda, mais próxima da famine, associada principalmente à seca. Mesmo assim, ainda há muitos brasileiros que não têm acesso a uma alimentação digna com regularidade, qualidade e quantidade.

Para evitar confusões e o mau uso das palavras, o Programa Fome Zero adota o conceito de segurança alimentar e nutricional.

Garantir segurança alimentar e nutricional à população de um país significa proporcionar a todos os cidadãos e cidadãs o acesso a uma alimentação digna com regularidade, qualidade e quantidade suficientes.

 

A alimentação é um direito humano e este direito deve ser garantido pelo Estado.

 

3. Como o Programa Fome Zero está estruturado

 

Combater a fome não representa um “gasto”, mas um investimento. Investimento em cidadania e nos direitos humanos. No Brasil, não faltam alimentos. Falta renda suficiente para a alimentação adequada de grande parcela da população.

Se os milhões de brasileiros e brasileiras ameaçados pela fome tiverem renda, aumentarão o consumo e, portanto, a produção de alimentos. Isso significará a geração de milhões de novos empregos na agricultura familiar e na agroindústria alimentícia, que hoje tem uma grande capacidade ociosa. Enfim, mais consumo, mais produção e, também, mais empregos. O que significa um Brasil mais desenvolvido. E quem combate a fome ajuda ainda a combater, também, as doenças. Quanto mais alimentação saudável, menos gastos com remédios, médicos e hospitais.

Para alcançar esse objetivo, o Fome Zero conta com três frentes, tendo sempre como foco a segurança alimentar e nutricional:

 

Implantação de políticas públicas

É essencial uma combinação de:

 

Construção participativa de uma Política de Segurança Alimentar e Nutricional

O Fome Zero contará com a participação ativa da sociedade na formulação, execução e acompanhamento de uma Política de Segurança Alimentar e Nutricional, tendo como expressão máxima o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e os conselhos estaduais e municipais de segurança alimentar, que serão detalhados no item 5.

 

Mutirão contra a Fome

Um grande movimento nacional de solidariedade voltado para com aqueles que sofrem a cada dia com a falta de alimentos e não podem esperar pelos resultados de mudanças profundas nas estruturas econômicas e sociais do país. O mutirão envolve o governo e toda a sociedade. No item 4 está a descrição completa do funcionamento do Mutirão.  

 

3.1. Os municípios e o Fome Zero


O Brasil é um país de imensa diversidade regional. Por esse motivo, as soluções para os desafios econômicos e sociais requerem um conhecimento profundo de cada realidade.
Os municípios têm um papel estratégico no diagnóstico dos problemas da população e na elaboração de soluções criativas para esses problemas. As prefeituras, com sua estrutura e seu vínculo com a comunidade, são importantes pontos de apoio para a implantação das ações do Fome Zero.
Neste documento são apontadas algumas das iniciativas que os municípios podem adotar para criar programas locais de segurança alimentar e nutricional, incluindo políticas públicas, conselhos e órgãos específicos e apoio a iniciativas da sociedade civil organizada.

 

3.2. Áreas Prioritárias


São cinco as áreas prioritárias a serem atendidas pelo governo federal na implantação do Fome Zero já em 2003:
1)                  Municípios do semi-árido nordestino, incluído o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais;
2)                  Acampamentos e assentamentos rurais;
3)                  População que vive dos e nos lixões;
4)                 Áreas de remanescentes de quilombos (quilombolas) em situação de risco nutricional;
5)                  Aldeias indígenas em situação de risco nutricional.

Toda a implantação do Fome Zero implica, por parte dos beneficiários, envolverem-se na gestão participativa. É através dessa organização popular que as famílias farão bom uso dos benefícios, garantindo impacto positivo na geração de empregos no município; combaterão a desnutrição e a mortalidade infantis; porão fim ao analfabetismo; construirão, em mutirão, cisternas e unidades sanitárias populares, bem como ajudarão a reformar moradias em estado precário; e se empenharão em atividades que favorecem a geração de emprego e renda.

 

4. O funcionamento do Mutirão contra a Fome

 
Palavra do Presidente

 

“Neste momento, em que estamos combinando políticas estruturais com ações inclusive de solidariedade, temos que acreditar piamente na sociedade civil. Não podemos ficar exigindo ou, quem sabe, criando dificuldades para a sociedade civil participar. Ela é a razão pela qual a gente vai conseguir acabar com a fome neste país. Não será o governo. O governo pode e vai fazer a sua parte. As mudanças estruturais deste país vão acontecer. Mas isso é que nem colher uma fruta. Não adianta a gente, por pressa, colhê-la verde, porque a gente vai comer, não vai gostar e vai jogar fora.”

 

Luiz Inácio Lula da Silva, reunião do CONSEA, Brasília, 25/02/03

 


Toda a sociedade brasileira deverá mobilizar-se para combater a fome e a miséria. A organização é o primeiro passo, e o passo fundamental, para que a solidariedade não se restrinja a campanhas de fôlego curto. Assim, para atuar no Fome Zero é aconselhável vincular-se a uma entidade ou instituição que já trabalhe com segurança alimentar (Mesa Brasil, denominações religiosas, Banco de Alimentos, ONGs etc) ou organizar-se num PRATO (Programa de Ação Todos pela Fome Zero).
           
O Mutirão contra a Fome é composto de:
 
·      Campanha de doações de alimentos
·      Campanha de doações em dinheiro
·      Organização de voluntários ou iniciativas próprias que fortaleçam o êxito do Programa Fome Zero.

4.1 Campanha de doações de alimentos

Arrecadação e distribuição de alimentos, com prioridade para municípios atingidos por calamidades, famílias acampadas, comunidades indígenas e quilombolas e entidades assistenciais reconhecidas pelos municípios.

Doações em pequena escala devem ser entregues aos Centros de Recepção e Distribuição de Alimentos (CRDs),   localizados na própria cidade do doador, evitando-se assim custos de transporte excessivos.

Doações em grande escala (mais de um caminhão) são centralizadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que dispõe de infra-estrutura para recepção e distribuição.

4.2. Campanha de doações em dinheiro

O governo estimula doações diretamente para entidades assistenciais já atuantes nos municípios, a critério do doador.  

Para aqueles que desejam doar para o Programa Fome Zero, foram criadas as Contas Fome Zero no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, a serem divulgadas no site www.fomezero.gov.br. O dinheiro é destinado ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, gerido de forma responsável e transparente.

Para onde vão as doações em dinheiro?

O Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza foi criado em 2001 para financiar ações que tenham como alvo famílias em situação de pobreza. O Fundo é composto de dotações orçamentárias e doações de pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras. A gestão é feita pelo Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome (MESA) com apoio de um Conselho Consultivo. Os recursos vindos de doações são utilizados exclusivamente em ações de combate à fome.

4.3. Formação de grupos de voluntários e iniciativas de apoio

A operação da campanha de doações de alimentos, bem como a implantação de outras ações do Programa Fome Zero nos municípios, poderá contar com o apoio de grupos de voluntários e de organizações que se disponham a colaborar com o Programa. Os interessados em participar deverão procurar a prefeitura e/ou uma das instituições já cadastradas pelo Conselho Municipal de Assistência Social de sua cidade, cuja lista está disponível no sites do Mesa (endereços ao final) e do Ministério da Assistência e Promoção Social: http://www.assistenciasocial.gov.br/.

4.4. Os Componentes do Mutirão contra a Fome

O sucesso do Mutirão contra a Fome depende de uma grande mobilização popular. Para canalizar essa energia da sociedade, o Fome Zero propõe uma forma de organização que vai contribuir para que cada cidadão ou cidadã saiba quais os papéis que pode desempenhar.

As agências dos Correios, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal também estão colaborando com o Mutirão contra a Fome. Confira os locais disponíveis nos sites:

http://www.correios.com.br/

http://www.bancobrasil.com.br/

http://www.caixa.gov.br/

E como estamos falando em combate à fome, nada melhor do que utilizar palavras relacionadas a isso. O Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome recebeu a sigla MESA. Os componentes do Mutirão são:


·      COPO (Conselho Operativo do Programa Fome Zero)
·      PRATO (Programa de Ação Todos pela Fome Zero)
·      o SAL (Agentes de Segurança Alimentar)
·      TALHER (Equipe de capacitação para a educação cidadã)

Conheça cada um deles:

COPO ou CRD

O   Conselho Operativo do Programa Fome Zero (COPO) constitui-se num Centro de Recepção e Distribuição de Alimentos também denomindado de   CRD. Ele é formado por representantes da sociedade civil e do poder público. Cabe a ele traçar as diretrizes da política de segurança alimentar local, credenciar as entidades e as famílias que serão beneficiadas, estabelecer parcerias com instituições, empresas privadas e voluntários.
Os municípios podem estimular a formação desses conselhos operativos, montando a estrutura necessária para seu funcionamento (sala, telefone, meios de transporte, etc).
O COPO/CRD tem como função cuidar da arrecadação de recursos no local, administrar as doações que chegam e responsabilizar-se pela armazenagem e transporte. É ele que identifica e seleciona as entidades a serem atendidas pelos alimentos doados, entidades consideradas idôneas pelo Conselho de Assistência Social ou, na falta deste, por órgão similar. De preferência, o COPO/CRD deve dispor de endereço eletrônico e telefones, operados por voluntários, para orientar doadores e receptores. Cabe a ele cadastrar os beneficiários, os doadores permanentes, bem como monitorar a logística da coleta e da distribuição, além de ser responsável pela fiscalização da qualidade e   origem dos alimentos recebidos.

PRATO - Programa de Ação Todos pela Fome Zero

Espera-se que haja milhares de PRATOs (equivalentes aos Comitês do Betinho), formados por voluntários, organizados por local de trabalho, bairros, igrejas, escolas, clubes, empresas etc. Os PRATOs são os braços operativos do Fome Zero. Eles organizam coletas e doações e, coordenados pelo COPO/CRD, encaminham para as entidades que trabalham com as famílias beneficiárias.
No caso de doações de gêneros in natura, especialmente verduras, legumes e frutas, cabe aos PRATOs dispor de lista de entidades da região em condições de receber tais produtos. Produtos que exijam refrigeração não deverão ser acolhidos pelos PRATOs.
Porém, nada impede que o próprio PRATO se organize para distribuir diretamente os alimentos que arrecadar, desde que o faça de modo educativo, favorecendo a progressiva inclusão social dos beneficiados.
Mais do que arrecadar alimentos, o Programa Fome Zero quer arrecadar solidariedade, de modo a unir a fome de comer com a vontade de fazer. O Fome Zero não é um programa assistencialista, e sim de inclusão social. Os PRATOs devem ajudar as famílias beneficiárias a caminharem da exclusão à inclusão social; da pobreza à geração de renda; da dependência à cidadania.

SAL - Agentes de Segurança Alimentar

Em quase todos os municípios do país, famílias carentes são acompanhadas por Agentes Comunitários de Saúde. Lá onde atua a Pastoral da Criança, mães gestantes e crianças de 0 a 6 anos de idade são acompanhadas por agentes voluntários. Há ainda, em muitos municípios, os agentes dos Núcleos de Atendimento à Família, vinculados ao Ministério de Assistência e Promoção Social.

Todos esses agentes podem ser também SAL: agentes de segurança alimentar, desde que capacitados para esta função.

O SAL acompanha as famílias e núcleos populacionais beneficiados pelo Fome Zero. É seu papel saber como o beneficiário caminha da exclusão para a inclusão social: se mês a mês tem melhorado a dieta; a higiene corporal, bucal e doméstica; se os analfabetos têm participado do curso de alfabetização; se os desempregados freqüentam o curso de profissionalização; se a família cultiva horta doméstica ou participa da horta comunitária; se desenvolve a agricultura familiar; se empenha-se na construção de cisterna (Sede Zero); se participa da formação de cooperativas etc.

TALHER - Equipe de capacitação para a educação cidadã

Talher é um instrumento de alimentação. Para o Fome Zero, não só alimentação física, mas também mental e espiritual. O Fome Zero não quer saciar apenas a fome de pão. Quer saciar também a fome de beleza: promover a educação cidadã dos beneficiados.

Esta equipe chamada TALHER prepara monitores que capacitam quem participa de COPOs, PRATOs ou atua como SAL. E ajuda a formar inúmeros TALHERES pelo Brasil afora.

 

5. Os Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional


A organização da sociedade é condição essencial para as conquistas sociais e para a superação definitiva da pobreza. O Programa Fome Zero estimula a organização da sociedade para que ela faça a sua parte na formulação, execução e acompanhamento de políticas de segurança alimentar e nutricional. Essa trama democrática vai enlaçar os Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional, formados pelo poder público e por representantes da sociedade civil organizada.

Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA)
O Consea é a expressão nacional dessa rede. Ele tem caráter consultivo e assessora o Presidente da República traçando as diretrizes para que o país garanta o direito humano à alimentação. O órgão vai funcionar em diálogo permanente com o Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome (MESA), os demais ministérios e a sociedade. Fazem parte do CONSEA: 13 ministros de Estado, 11 observadores, 38 personalidades da sociedade organizada, num total de 62 conselheiros com mandato até março de 2004.

Conselhos Estaduais e Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional
A ação local é fundamental. Estados e municípios devem criar conselhos locais para tratar de questões específicas da região relacionadas à segurança alimentar e nutricional.

Palavra do Presidente

 

“Essa disposição da sociedade tem que ser canalizada pelo CONSEA que, agora, estamos instalando, o nacional. Mas precisamos criar os estaduais, os municipais. É preciso criar uma consciência na sociedade de que um governo pode fazer muito, mas, por mais que o governo faça, ele não tem a mesma força que a sociedade terá, se ela quiser assumir para si a tarefa de cuidar disso.”

 

            Luiz Inácio Lula da Silva, reunião do CONSEA, Brasília, 25/02/03

 

O que faz o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional? Ele elabora diretrizes para implantar a política local de segurança alimentar e nutricional, em sintonia com as diretrizes traçadas pelo conselho de nível   estadual e nacional; orienta a implantação de programas sociais ligados à alimentação, estabelecendo diretrizes e prioridades; e articula a participação da sociedade civil.


As prefeituras deverão apoiar a criação dos conselhos municipais. O Conselho municipal de segurança alimentar e nutricional deve congregar três setores da sociedade: representantes do poder público; representantes de entidades ou instituições que já atuam em segurança alimentar (igrejas, sindicatos, cooperativas, ONGs etc.); e representantes da sociedade civil organizada.  
Na formação do COPO, não se deve partir da estaca zero. Dele deverão participar membros dos Conselhos Municipais já existentes, como os conselhos de Assistência Social, Saúde, Criança e Adolescente, Idoso, Desenvolvimento Rural etc.

 

6. O que fazer para participar do Fome Zero

 

 

Palavra do Presidente

 

“Não adianta apenas distribuir comida. Se não atacarmos as causas da fome, ela sempre irá voltar, como já aconteceu outras vezes em nossa história.

            O Projeto Fome Zero combina, de um modo novo, o emergencial com o estrutural. É preciso dar o peixe e ensinar a pescar.

            Ensinar a pescar é criar empregos nas regiões onde hoje existem fome e pobreza.

            Ensinar a pescar significa melhorar as condições de vida da população.

            Ensinar a pescar é dar ao povo uma educação de qualidade. É saúde digna. É salário e renda.

            Ensinar a pescar é fazer a reforma agrária. É incentivar a agricultura familiar. É estimular o cooperativismo, o microcrédito e a alfabetização.

            Ensinar a pescar é preparar as pessoas para uma profissão e um emprego. É criar condições para que elas se sustentem sozinhas.

            Ensinar a pescar, enfim, é libertar milhões de brasileiros, definitivamente, da humilhação das cestas básicas. É fazer com que todos, absolutamente todos, possam se alimentar adequadamente, sem que para isso precisem da ajuda dos outros.”

 

Luiz Inácio Lula da Silva, lançamento do Fome Zero, Brasília, 30/01/03

 

Veja a seguir uma série de exemplos do que se pode fazer para participar do combate à fome e da construção de políticas de segurança alimentar.

 

BANCO DE ALIMENTOS

O Banco de Alimentos recolhe alimentos que seriam desperdiçados e, no mesmo dia, faz chegar às entidades cadastradas que cuidam de pessoas em situação de carência alimentar. Para implantá-lo pode-se contar com a prefeitura, o Conselho municipal de segurança alimentar e nutricional e com os PRATOs.

 

RESTAURANTES POPULARES

Esses restaurantes criam uma rede de proteção alimentar, nas áreas metropolitanas, em zonas de grande circulação de trabalhadores de baixa renda e desempregados. Esses passam a contar com alimentação balanceada, de qualidade, a preços populares.

 

EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL

Campanhas através de rádio, TV e produção de cartilhas podem melhorar hábitos de alimentação e consumo, bem como valorizar a culinária regional e local.

 

ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

O Governo Federal aumentou este ano em mais de 100% o repasse para a merenda de crianças de 4 a 6 anos de idade. Com o apoio da prefeitura, Conselho municipal de segurança alimentar e nutricional e PRATOs, pode-se ainda priorizar a compra de alimentos dos produtores locais, aumentar o valor nutritivo da merenda escolar, e capacitar as merendeiras.

 

CESTAS BÁSICAS EMERGENCIAIS

O Fome Zero prioriza a aquisição de alimentos produzidos localmente. No entanto, quando isso for inviável, serão distribuídas cestas básicas emergenciais.

Cestas básicas arrecadadas deverão ser entregues a comunidades organizadas ou entidades cadastradas pelo Conselho Municipal de Programação e Assistência Social do seu município.

 

BANCOS DE SEMENTES COMUNITÁRIOS

No Alto Sertão da Paraíba existem 89 bancos comunitários, que movimentam quase 30 mil quilos de sementes, sobretudo de milho. O trabalho envolve cerca de 2.460 famílias, organizadas em associações comunitárias e sindicatos de trabalhadores rurais.

 

CRECHES

Além de fornecer alimentos à creche, pode-se fazer parceria com a Pastoral da Criança, que cuida de crianças de 0 a 6 anos de idade e de mães gestantes. Procure também os Agentes Comunitários de Saúde. No seu município deve funcionar também o Núcleo de Atendimento à Família.

 

ASILO

São também importantes as parcerias com quem já trabalha com pessoas da terceira idade. Muitas vivem em recolhimentos precários, sem dispor de alimentação adequada. Nutricionistas podem para balancear adequadamente a dieta dos beneficiados. O trabalho daqueles que ainda dispõem de condições físicas e mentais, como ajudar na cozinha e na copa deve ser incentivado.

 

NÚCLEOS POPULACIONAIS CARENTES (favelas, vilas, palafitas etc.)

Para facilitar a participação, procure uma instituição que já desenvolve ali algum trabalho. Examine com a população local quais são as carências básicas.

 

LIXÕES

Há muitos lixões pelo Brasil afora, sobretudo em torno das cidades mais populosas. Ali vivem famílias que se alimentam de restos de comida atirada ao lixo. O PRATO pode cadastrar essas famílias para que tenham direito ao Cartão-Alimentação do Fome Zero, estabelecer com a Prefeitura um programa de moradias para elas, encaminhar as crianças à creche e à escola, incluí-los em cursos profissionalizantes etc.

 

AÇÃO SOLIDÁRIA

Uma das propostas de participação no programa é a sua empresa, escola, igreja ou associação assumirem um dos municípios do semi-árido, ou um acampamento ou assentamento rural, ou um antigo quilombo, ou uma aldeia indígena, ou um lixão.

Exemplo: a prefeitura de Diadema, SP, junto com a CONIB (Confederação Israelita Brasileira) está efetivando uma parceria com Itinga, município do Vale do Jequitinhonha, MG. Através dessa ação solidária, Itinga poderá ter melhorias nas áreas de nutrição, saúde, educação, cultura etc.

O Faça Parte, do IBRAVO (Instituto Brasil Voluntário) incentivará escolas de todo o país a serem escolas-irmãs de escolas públicas de municípios do semi-árido. A escola “madrinha” passa a acompanhar o desempenho da escola “afilhada”, através de visitas periódicas, envio de material escolar, reforço à merenda, cursos para professores etc.

O mesmo pode ser feito entre igreja-igreja, associação-associação, sindicato-sindicato etc.

 

SEDE ZERO

Não se trata de falar mais em combate à seca. Trata-se, agora, de saber conviver com o semi-árido, construindo um novo modelo de desenvolvimento para a região. O acesso à água de boa qualidade é o maior problema enfrentado pelas populações rurais do Nordeste  Para resolver esse problema, um conjunto de mais de 800 entidades (ONGs, igrejas, associações, sindicatos etc.) dão-se as mãos na ASA – Articulação no Semi-Árido. Junto com o Ministério do Meio Ambiente e com a ANA (Agência Nacional de Águas), a ASA desenvolve o P1MC – Programa 1 Milhão de Cisternas.

Trata-se de construir 1 milhão de cisternas familiares para coletar água da chuva suficiente para o consumo familiar. Cerca de 50 mil cisternas já foram construídas, sempre com a participação da família beneficiada. Saiba mais sobre o P1MC: www.asabrasil.org.br

 

EMPRESAS

Já existe um manual específico intitulado “Como as Empresas podem apoiar e participar do Combate à Fome”, publicado pelo Instituto Ethos, que pode ser consultado no site: www.fomezero.org.br

Entre as sugestões elencadas, destacam-se:

1) Investir nos jovens, reforçando a política do Primeiro Emprego.

2) Agências de microcrédito solidário.

 

7. Para saber mais

 

Sites sobre o Programa Fome Zero:

www.presidencia.gov.br/mesa

www.fomezero.org.br

Serão muito em breve divulgados nesses sites o telefone do Call Center do Programa Fome Zero para obtenção de informações e os números das contas correntes no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal para doações.